Essa resenha não contém spoilers, pode ler sem medo! <3

O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher.

Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele.

Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por lhe revelar o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.

A Rainha do Deserto, lançado em 2016 pela Editora Seguinte, foi aquele livro que eu sempre passei os olhos pelos sites, blogs, comentários de amigos e não parava para ler; até um dia que olhei para essa capa maravilhosa e não prorroguei mais. Acabou sendo, até agora, de longe uma das melhores leituras do ano que tive. Além da Alwyn se inspirar na cultura Arábe para moldar os costumes e tradições do livro, ela trouxe um personagens ricos em estórias e personalidade.

O livro tem como cenário o deserto de Miraji e é onde nossa protagonista, Amani, mora com seus parentes distantes após a morte de seus pais. Os leitores podem ver claramente que não é só a vida de Amani que é cheia de dificuldades. As mulheres da Vila da Poeira, vivem sobre a certeza de que vão crescer em uma sociedade machista, serem escolhidas pelos homens para serem suas esposas, além de viverem sobre medo, abusos morais e possivelmente sexual. Amani não consegue lidar com o fato que esse é seu destino e chega a conclusão que a única forma de viver sua própria vida, seria se ela fugisse para a capital, Izman e encontrasse sua tia. Com isso, vestida como um garoto, ela se inscreve em um concurso de atiradores que caso ela venha a ganhar, teria a grana certa para a fuga.

— Você acabou de atirar em alguém ou foi impressão minha?
— Acabei de conseguir um emprego para a gente, isso sim. E só atirei no copo.
Ele passou o braço em torno do meu ombro, se apoiando em mim.
— É por isso que gosto de você, Bandida.
E então veio aquele sorriso. Talvez eu tivesse olhos que me traíam, mas Jin com certeza tinha o tipo de sorriso capaz de converter impérios inteiros. O tipo de sorriso que me fazia sentir que o entendia direitinho, embora não soubesse nada sobre ele. O tipo de sorriso que me fazia sentir que éramos capazes de qualquer coisa juntos.

A melhor parte do livro foi a crítica social. Alwyn trouxe para seu livro de fantasia ingredientes que demonstram com bastante realidade da cultura Árabe repleta de desigualdade econômica, disputas religiosas, a dificuldade do papel da mulher na sociedade e claramente, o deserto. Tiveram várias cenas nos livros que me deixaram profundamente triste e infelizmente, não fiquei chocada. A Rebelde do Deserto é um livro de fantasia, com magia, lendas, mas trás a verdade que o mundo precisa. Eu amei como o tema foi tratado e além de ser uma estória envolvente pela ação, romance, amizade e magia, tem uma narrativa bastante reflexiva. Tudo em uma quantidade certa.

Eu dei 4.5 estrelas. O motivo disso foi unicamente pelo universo não ser tão explicativo no primeiro livro, mas ao ler o segundo livro foi bem compreensível. Porém, como ao terminar o primeiro, senti bastante falta de alguns detalhes. Principalmente sobre a natureza mágica que envolve a trilogia.

Motivos para ler:

1. É lotado de fantasia, magia, tiros, cultura, romance, beijos, amorzinho, coisas fofas, raiva de certos @, @ faz coisas fofas, você perdoa o @ e loop infinito. Já mencionei os tiros? Os da Amani PRINCIPALMENTE!

2. Você vai mergulhar na cultura desse livro! É incrível os detalhes, a forma como a autora colocou os detalhes do deserto, os sutões e os filhos, a vibe de atiradores.

3. Amani é um outro nível de heroína! Ela é maravilhosa em atirar, mas a heroína é criada em cada livro e ela é sincera. Ela não está ali pra ajudar o mundo, ela está ali pra sobreviver, errar, entender quem ela é realmente e encontrar seu verdadeiro destino. EU QUERIA ABRAÇAR ELA E PROTEGER! <3

4. O romance! A criação desse romance é tão coerente! Tão certo! Não é aquilo de primeira vista e não há perfeição. Os dois estão ali para crescer e acabam ajudando um ao outro nessa jornada. MAS AINDA QUIS MATAR OS DOIS PORQUE MUITO IDIOTAS, mas os amo do mesmo jeito.

Diga isso pra mim e vamos embora. Neste instante. Vamos fugir, nos salvar e deixar os outros para morrer. Tudo o que precisa fazer é dizer isso. Diga que é assim que deseja que sua história seja contada, e vamos escrevê-la pela areia até o mar. É só dizer.

Os outros livros da trilogia:

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