Sinopse: “Quando um policial branco atropela um jovem negro, tensões raciais crescem numa cidade norte-americana. De um lado, a promotora KJ Harper (Clare-Hope Ashitey) tenta trazer justiça para sua comunidade sem deixar que seus problemas pessoais afetem o trabalho. Do outro, o agente responsável pelo crime (Beau Knapp) tenta lidar com a culpa. Por fim, a mãe do jovem (Regina King) está determinada em descobrir o que realmente aconteceu.”

A primeira coisa que me chamou atenção para essa série, foi o fato dela ter sido criada pela Veena Sud, que é a mesma criadora da série “The Killing”, mas confesso que não esperava ter sido tão amarrada assim pela história a ponto de querer saber tudo de uma vez só sobre o que iria acontecer. Vamos por partes e vou tentar não trazer muitos spoilers:

A premissa da série é a seguinte: Um policial branco, Peter Jablonski, no desespero para ir de uma vez até o hospital onde sua esposa estava, causa um acidente, onde ele atropela um garoto negro de 15 anos, Brenton Butler. Ele chama os companheiros da equipe dele na policia e então eles dão um jeito de se livrar das evidencias que comprovam que Jablonski esteve ali. O que eles não contavam é que o garoto não tinha morrido no acidente e a partir daí, começa uma busca para descobrir quem foi o responsável pelo que aconteceu.

A investigação fica na mão da promotora KJ Harper, que no inicio não está com muita vontade de dar continuidade ao caso, mas devido a pequenas inconsistências em quem foi “culpado” pelo atropelamento (que já vemos logo no primeiro episodio), ela resolve então seguir em frente e desvendar esse mistério com o novato na policia, Joe “Fish” Rinaldi, para encontrarem quem foi responsável por não só ter atropelado o garoto e também o deixando para morrer ali.

Eu achei muito interessante o modo como a série abordou assuntos como racismo, policiais corruptos, machismo e homossexualidade de uma forma que ao mesmo tempo em que trata isso com certo cuidado, também tenta mostrar como as coisas são muitas vezes, mesmo que a gente tente fechar os olhos e não ver o que acontece. Não é preciso nem dizer que conforme o mistério vai se desenrolando para os dois que estão investigando o caso, as coisas vão se complicando cada vez mais e mostrando também como algumas pessoas estão dispostas a tudo, desde que salve sua própria pele.

Os pontos altos para mim estão em todos os atores e os personagens. Todos os personagens, por piores que sejam, são muito humanos. A promotora, por exemplo, é quem sofre de alcoolismo e muitas e muitas vezes ela fica questionando as coisas que faz e as decisões que toma conforme o caso vai passando. Também tem os pais do Brenton, Latrice e Isaiah Butler, que junto com o irmão de Isaiah, Seth, estão passando por todo o processo de luto e perda e cada um deles lida com isso da sua própria maneira.

Eu não podia deixar de falar também o que eu sempre costumo dizer que: você sabe que um ator está fazendo um trabalho magnifico não só quando ele consegue fazer você sentir a dor dele, mas também quando consegue fazer você odiar cada coisa que ele faça, no caso de ser um vilão e é justamente isso que eu sentia a cada vez que via o ator David Lyons, que interpreta o líder dos policiais, Mike DiAngelo, aparecendo na tela. Tinha vezes que eu tinha vontade de acertar o joelho no queixo dele, apenas pra tirar o sorriso pretensioso do rosto dele cada vez que algo dava certo para ele e os outros policiais.

Confesso que quando terminei de assistir a série, eu fiquei com uma sensação muito ruim por dentro porque, sem dar muito spoiler sobre o que acontece ou não, não é um final feliz. Mas depois de muito pensar, eu cheguei a conclusão que bem, é assim que a vida é muitas vezes. Nem tudo é um mar de rosas e nem tudo tem um final bem feliz e por isso, no final das contas, o final foi o mais certo possível. Foi um final real e até um pouco doloroso de ser assistido.

Eu indico bastante essa serie para quem, como eu, gosta de séries policiais, gosta de um certo mistério (apesar de nem tanto, afinal desde o primeiro episodio sabemos já quem está por trás de tudo que aconteceu), porque acreditem, essa série vale a pena ser vista e vale a pena ser divulgada!

Ainda não saiu nenhuma informação sobre uma possível segunda temporada, então só resta esperar e torcer que a Netflix dê mais uma chance para uma próxima temporada.

E também duas pequenas observações:

A série é baseada em um filme russo chamado “The Major” que é de 2013 e também no caso real de Brenton Butler, que a policia prendeu em 2000 e que confessou o crime, mas durante o julgamento falou que na verdade foi a policia quem o coagiu a confessar algo que ele não tinha feito. Esse caso ganhou um documentário que se chama “Murder on a Sunday Morning” e ganhou um oscar em 2001.