“Um tom mais escuro de magia” (A darker shade of magic)
V. E. Schwab
Record – 2016 – 420 páginas

Um universo de aventuras audaciosas, poder e múltiplas cidades de Londres

Kell é um dos últimos Viajantes — magos com uma habilidade rara e cobiçada de viajar entre universos paralelos conectados por uma cidade mágica. Existe a Londres Cinza, suja e enfadonha, sem magia alguma e com um rei louco — George III. A Londres Vermelha, onde vida e magia são reverenciadas, e onde Kell foi criado ao lado de Rhy Maresh, o boêmio herdeiro de um império próspero. A Londres Branca: um lugar onde se luta para controlar a magia, e onde a magia reage, drenando a cidade até os ossos. E era uma vez… a Londres Negra. Mas ninguém mais fala sobre ela. Oficialmente, Kell é o Viajante Vermelho, embaixador do império Maresh, encarregado das correspondências mensais entre a realeza de cada Londres. Extra-oficialmente, Kell é um contrabandista, atendendo pessoas dispostas a pagar por mínimos vislumbres de um mundo que nunca verão. É um hobby desafiador com consequências perigosas que Kell agora conhecerá de perto. Fugindo para a Londres Cinza, Kell esbarra com Delilah Bard, uma ladra com grandes aspirações. Primeiro ela o assalta, depois o salva de um inimigo mortal e finalmente obriga Kell a levá-la para outro mundo a fim de experimentar uma aventura de verdade. Magia perigosa está à solta e a traição espreita em cada esquina. Para salvar todos os mundos, Kell e Lila primeiro precisam permanecer vivos.

Normalmente eu consigo escrever com certa facilidade, mas eu estou tentando ver por onde começo a falar desse livro e não tenho a menor ideia. Provavelmente pelo fato de que simplesmente amo essa história. Eu me apaixonei tanto por esse universo da V. E. Schwab que terminei lendo tudo, absolutamente tudo que ela escreveu, de tão maravilhosa que é a escrita dela.

Mas ok, chega de enrolar: “Um tom mais escuro de magia” é o 1º livro da trilogia “Tons de Magia” e conta a história de Kell, um Antari, que é basicamente alguém com o poder de viajar entre universos paralelos: o ano é 1819 e a cidade é Londres – mas qual Londres entre as existentes? Temos a Londres Cinza (a nossa, fria e sem magia), a Londres Vermelha (aonde Kell nasceu e foi adotado pelos Monarcas), a Londres Branca (aonde os irmãos Dane tem um verdadeiro reinado de horror) e a Londres Negra (que não mais existe porque foi consumida por magia). Kell consegue se mover entre as Londres e por isso ele é o emissário real da Londres Vermelha, devendo somente levar correspondência entre os Reis, tendo a ordem expressa de jamais, em hipótese alguma, levar objetos de uma Londres para outra, já como as portas entre os universos foram fechados para sempre para evitar o que aconteceu com a Londres Negra. E é claro que ele quebra essa regra todas às vezes e funciona como uma espécie de contrabandista, levando objetos de uma Londres para outra, sendo que ninguém mais pode ter consciência da existência delas.

Somente os poucos capazes de transitar por entre as diversas Londres precisavam de um modo de diferenciá-las. Então, Kell, inspirado pela cidade perdida conhecida por todos como Londres Preta, designara uma cor para cada capital remanescente.
Cinza para a cidade sem magia.
Vermelho para o império vigoroso.
Branco para o mundo faminto.

Delilah Bard é uma jovem com uma vida difícil. Vivendo na Londres Cinza, ela deseja ser uma pirata e ter uma vida bem melhor do a que conhece desde sempre. O que ela não esperava era roubar e salvar um rapaz que tem um olho de cada cor – Kell – que a arrasta para uma aventura que ela jamais, absolutamente jamais, imaginou que poderia chegar para ela.

O universo criado é magico. Imaginar a mesma cidade de 3 formas diferentes, com lugares tomados por cores e mundos completamente diferentes causados por uma explicação nada menos do que brilhante já é mais do que suficiente para dar todos os créditos do mundo para o livro. Mas, como se não bastasse, ainda temos Kell e Lila – e não estou falando de romance. Os dois personagens, individualmente, tem uma química absurda: a seriedade que Kell tem em muitos momentos é balanceada pela personalidade arrojada de Lila, que definitivamente entra no top 10 de personagens mais badass que você pode imaginar. Pra mim, um livro de fantasia só está completo se tiver uma personagem feminina protagonista forte que não fica sentada esperando por ninguém, e é isso que “Um tom mais escuro de magia” nos dá: no final das contas, Delilah Bard quer ser ela mesma, acima de todas as coisas, ela quer ver tudo, viver tudo e fazer tudo. Um HINO de personagem.

— Eu não vou morrer — falou ela. — Não até ter visto.
— Visto o quê?
O sorriso dela se alargou.
— Tudo.

O relacionamento dos dois protagonistas é difícil de explicar. Não dá pra afirmar que existe um romance acontecendo, mas não dá pra negar que tem aquela química gigantesca ali, então até nisso o livro quebra o clichê, já como se você está esperando que um grande romance seja o fio condutor da história, você irá se frustrar. O que move os personagens, no começo, é algo maior do que eles, a vontade de se livrarem de suas vidas amarradas e consertarem erros que acreditam que precisam reparar. A construção dos personagens é algo que realmente precisa ser destacada porque eles são complexos ao extremo: Amando a família e sendo adotado, Kell sabe que seu lugar não é entre aquelas pessoas e que é diferente deles – por ser um viajante, alguém criado para dominar um poder que está sumindo cada dia mais, além de não se lembrar de nada de sua origem. Lila, por sua vez, passou por diversos traumas, o que a tornou dura e forte, ao mesmo tempo em que a faz ter uma pontinha de inconsequência que muitas vezes os coloca em perigo, mas também os salvam.

Além do universo ser muito bem construído e do tipo que te faz perder minutos imaginando todos aqueles cenários, com personagens principais bastante complexos, ainda existem personagens secundários que são tão bem construídos que você se pega querendo saber mais, entender mais, ler mais sobre. Rhy, o irmão adotivo de Kell, filhos do Reis da Londres vermelha, mantem um relacionamento com o irmão que é um dos melhores que li em diversos livros. Eles são muito próximos, se amam, se irritam e estão lá, um do lado do outro, sempre, um disposto a tudo pelo outro, e talvez até com algum outro nuance. Os vilões, os irmãos Dane, são o tipo de vilão que te faz odiar realmente, nada de simpatia, nada de vontade de redenção: eles são vilões pra se temer e a história também consegue isso. Todas as cenas deles são “visualmente” incríveis porque eles vêm da Londres Branca, com magia sempre ao redor de ambos.

— Sabe por que nossos mundos são mantidos separados, Alteza? — Ele não esperou pela resposta do príncipe. — Para manter o seu mundo seguro. Veja, houve um tempo, eras atrás, em que eles não eram separados. Quando portas corriam entre seu mundo e o meu, e outros, e qualquer um com um pouco de poder conseguia atravessá-las. A magia em si podia transitar. Mas o problema da magia — acrescentou Kell — é que ela se apodera tanto dos obstinados quanto dos fracos de espírito, e um desses mundos não foi capaz de se controlar. As pessoas se alimentaram da magia, e a magia se alimentou delas até devorar seus corpos, suas mentes e então suas almas.
— A Londres Preta — sussurrou o príncipe regente.
Kell assentiu. Não fora ele quem designara a cor que intitulava a cidade. Todos, ou ao menos todos nas Londres Vermelha e Branca e os poucos da Cinza que sabiam de alguma coisa, conheciam a lenda da Londres Preta. Era uma história de ninar. Um conto de fadas. Um aviso. Sobre a cidade — e o mundo — que não existia mais.

A trama não envolve só a magia, apesar dela ter um peso grande na trama, mas sim a politica também, afinal, estamos lidando com Reis e seus egos. A magia que existe no mundo de “Tons de Magia” é fundamentada em sangue e palavras, então se prepare para aprender algumas palavras desse mundo que ficam por todas as paginas e volumes. O universo é rico, as explicações são dadas no momento certo e a leitura é fácil, mesmo que você aprenda tudo novo.

Mas há pontos que preciso assinalar: eu amo esse universo, eu amo esse livro, mas ele não é um consenso. Nem todos que leem o amam como eu – na verdade, ele está mais para “ame-o ou odeio-o”, já como muitos acham a história cansativa e confusa, coisa que eu não achei de forma alguma. Acho que o que pode dividir as pessoas é a questão de “é o mesmo cenário: Londres”, mas, quando você se permite cair no enredo, você começa a imaginar e a entender que é Londres, só que não é a mesma porque cada uma tem suas particularidades, suas cores, seu modo de viver.

A magia transformava o mundo. Mudava a sua forma. Havia pontos fixos. Na maior parte do tempo, esses pontos eram lugares. Mas, às vezes, raramente, eram pessoas.

Não tenho realmente palavras pra explicar o quanto eu amo esse livro e toda a mitologia que veio dele, e o melhor: o segundo volume, “Um encontro de sombras”, já foi lançado aqui no Brasil. O 3º volume, ainda sem título em português, também será publicado nesse ano aqui no Brasil, enquanto lá fora, a trilogia já foi finalizada. Momento “vamos rezar” da resenha: Os direitos foram vendidos para uma possível adaptação cinematográfica, com a autora, V. E. Schwab, tendo participação no processo. Não deixe de rezar, por favor, porque se bem feito, temos um material que pode ser perfeitamente transposto de uma forma lindíssima.

Então sim, indico e indico fortemente “Um tom mais escuro de Magia” por todos os motivos certos: enredo bem explicado, momentos de prender o folego, personagens bem construído, relacionamentos desenvolvidos, tudo junto!

Por hora, As Travars, amigos!

Kell a encarou por um instante e então se forçou a virar na direção dos tijolos marcados de sangue. Ele apertou a mão dela e levou os dedos até a marca.
— As Travars — pronunciou.
A parede cedeu, e o viajante e a ladra andaram para a frente e a atravessaram.

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